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| Miguel Mota |
Já por mais de uma vez tive de
denunciar casos de estatísticas e médias que, por não considerarem outros
factores influentes, levam a conclusões totalmente erradas. Tal como na antiga
e bem conhecida história do frango. Se eu for a um restaurante com um amigo, eu
comer um frango e ele ficar a ver, a estatística diz que cada um de nós comeu
meio frango.
No programa Olhos nos Olhos de
11-3-2013, na TVI, o Dr. Medina Carreira apresentou um gráfico e concluiu –
como era evidente no gráfico – que a perda de crescimento da economia
portuguesa já vinha desde a década de 1960. O gráfico apesentava os números do
crescimento da economia nos valores médios – lá estão as famigeradas médias! –
de cada década. Não tendo gravado o gráfico, apenas falo de memória, mas julgo
não estar enganado.
O valor médio para a década de
1960 era de uns 7%. Para a década de 1970, um valor médio um tanto mais baixo.
Todas as outras décadas apresentavam valores sucessivamente mais baixos, numa
linha sempre a descer. Conclusão: desde a década de 1960, o crescimento da
economia portuguesa tem sempre vindo a diminuir.
Acontece que em 1973 o crescimento
da economia portuguesa foi de cerca de 7%. A descida grande dá-se a partir de
1974, o que faz com que a (famigerada) média da década de1970 seja mais baixa
do que a da década de 1960. Na realidade, a descida do crescimento da economia
portuguesa começou em 1974 e agora estamos em recessão. Mas, é claro, acusar de
qualquer mal o “libertador” 25 de Abril é crime de lesa majestade.
O Dr. Medina Carreira, que tem
feito muito judiciosas considerações, é um grande arauto da insustentabilidade,
pelo seu peso no orçamento, daquilo a que geralmente se chama o estado social.
A responsabilidade pelo estado social pertence a três ministérios: da Saúde, da
Educação e da Solidariedade e Segurança Social. O peso do conjunto destes três
ministérios, como já mostrei noutro artigo neste jornal, é de 13% do total das
despesas do estado. Mas não são os outros 87% que são considerados responsáveis;
o mau é o estado social.
Lembro que estes números não são meus,
mas do Orçamento Geral do Estado para 2013, que estão à disposição de qualquer
um. E para analisar estes valores não é preciso ser doutorado em economia;
basta a instrução primária.

