24 Fevereiro 2012

No fim viver sozinho

Estava a ouvir uma reportagem na RTP 1 sobre o isolamento dos idosos, quer no distrito de Bragança, quer em Lisboa. Com exceção de um homem, pastor em Bragança, todas eram mulheres.
Também nestes últimos dois meses assistimos diversas vezes a notícias de idosos sozinhos encontrados mortos na sua habitação. O sistema de vizinhança, que substituía a família, nestas casas praticamente desabitadas da capital ou nas aldeias quase desertas, deixou de funcionar.
Não foi relevado de forma especial, mas foi dito que as idosas sozinhas da reportagem de Bragança têm muitos filhos e em Lisboa das idosas reportadas nenhuma tinha filhos.
Isto fez-me pensar que a dureza da vida raiana de Bragança esfriou o amor familiar. Os filhos saíram em busca de melhor vida e não regressam nem levam os pais. Ouvi-as dizer, coitadas, que eles não tinham possibilidades. Todos sabemos o que dizem dos pais que abandonam crianças, mas dos filhos que abandonam os pais idosos ninguém diz nada. E isto pode perpetuar-se porque segundo o ditado “Filho és, pai serás” com estes exemplos os netos dos idosos de Bragança um dia também se descartarão dos seus pais.
Ainda outra questão: as idosas de Lisboa que estão sozinhas vivem em casas degradadas da baixa lisboeta. Rendas baixas e senhorios que só esperam que elas se vão. Uma delas até era a única habitante de um prédio de 5 andares.
Não é que eu pretenda que os senhorios substituam a segurança social e a sua assistência domiciliária, mas como esta, segundo dizem, tem poucos anos de vida é preciso encontrar outras soluções.
Conclusão/conclusões: se ninguém pode obrigar os filhos dos idosos brigantinos a tomarem conta dos seus pais porque isso implicaria uma revolução de mentalidades que não se faz do pé para a mão, ou uma mudança da legislação que implicaria que um adulto idoso deixasse também de ter a opção de escolher viver sozinho, no caso da capital alguém - a autarquia - pode obrigar os senhorios a repararem os prédios degradados da baixa de Lisboa, e se estes não puderem suportar os custos da reparação sempre podem colocá-los à venda e com esse ganho dar uma indemnização ou o direito a uma fração ao velho inquilino, para viver, até ao fim dos seus dias, com dignidade.

Manuela Vaz Velho


*escrito ao abrigo do novo OA

5 Pensamento(s):

  1. Penso que o tema trazido pela Manuela Vaz Velho sobres a solidão dos nossos idosos é deveras preocupante e muito interessante, porque hoje são eles e amanhã somos nós. Mas este assunto obriga-me a pensar no porquê de tanta solidão dos nossos velhinhos do interior será que os filhos deixaram de gostar dos pais?
    Todos conhecemos pessoas que mal faziam a 4ª classe, ou nem isso eram enviados para trabalhar (servir)pelos pais para as grandes cidades "sozinhos"
    crianças com 10,11anos abandonados à sua sorte," não me venham com a história que se passava muita fome pq há sempre na aldeia umas couves para a sopa" e agora o que é que esses idosos esperam?

    E já agora imaginem mandar os v/filhos com 10 11 anos trabalhar.Por favor não venham com a história "eram outros tempo"
    Será que os os filhos desses idosos estão a seguir aquele ditado "cá o fazes cá o pagas"? inconscientemente não será

    Uma beijoca Manela

    Carolina Graça



    Carolina Pereira

    ResponderEliminar
  2. A análise feita por a D. Carolina, está completamente desprovida de qualquer lógica e muito menos de realidade.
    Se por acaso tem filhos ou se os vier a ter, vai ser daquelas mães que acha que os filhos tem direito a tudo e sem esforços.
    E os resultados desse tipo de educação estão bem á vista.

    ResponderEliminar
  3. Mas como o anónimo das 4:24 me "conhece" tão bem e sabe tanto da minha vida! porque será? Freud tem razão, oh se tem!...
    Permita-me, já que se preocupou mais em criticar o que eu escrevi do que comentar o belíssimo texto da Manuela Vaz Velho , vou-lhe dizer o seguinte:
    desprovido de qualquer lógica são aquelas mãe que não se respeitam e muito menos os filhos , e já agora que a sua cabeça anda muito confusa vou dizer o seguinte para terminar; para ser mãe basta parir, mas ser boa mãe tem que se respeitar e dar ao respeito.


    Tenha juízo,

    Carolina Graça

    ResponderEliminar
  4. Já agora quando se dirigir à minha pessoa use p.f.Carolina ou Senhora dona Carolina, D.Carolina é que não, não seja pirosa.


    Estes pequenos grandes pormenores são bastante importantes.

    Carolina Graça

    ResponderEliminar
  5. Cara Manuela:
    Saberemos pensar a SOLIDÃO de forma distinta como a pensamos?Saberemos percebê-la através de outros olhares que, não apenas os nossos?Saberemos que essas outras formas de saber nos capacitam a ver a realidade de outra forma?Para mim a solidão tem vários rostos.Vejam se concordam...
    A solidão do ressentimento;os exilados da vida:a solidão na VELHICE; a solidão da perda, provocada pela ausência; a solidão
    depressiva resulta de lacunas de encontros e desencontros...
    É convicção minha, neste momento: a doença, que mais mata, neste século.Mas também me interrogo, como distinguir "solidão" e " estar só?
    Até amanhã! Até sempre!
    Júlia Príncipe

    ResponderEliminar