7 de abril de 2009

AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES


Joaquim Jorge

Já não chegava todas as tropelias à avaliação dos professores num processo penoso e sem fim . No inicio do processo aventou-se a hipótese dos pais com a sua opinião poderem influenciar a avaliação dos professores assim como as notas dos alunos. Toda a luta pelo bom-senso e respeito por esta classe que o único defeito que tem , a meu ver , é ser a mais numerosa da função pública , advindo daí uma despesa que pesa muito no orçamento de Estado.
Então agora os processos de avaliação individual do professor poderão ser de livre acesso a pais e outros professores ! Aonde isto vai parar ! Tudo é possível . O professor está despido interiormente , em que tudo é devassado , não tendo direito à sua privacidade e reserva . Não há outra profissão que tal aconteça . Os nossos governantes tudo lhes é permitido e ninguém pode dizer nada . Então a avaliação além de ser individual não tem carácter confidencial ?
Continuo na minha - quem avalia os pais ? A responsabilização dos pais na educação dos filhos e na escola deveria ser regulamentada e penalizada para quem não cumprisse. A educação em Portugal está subvertida. O professor que deveria ser o centro do ensino é o lacaio e subordinado , mais parece que só tem obrigações e poucos direitos. Por este andar ninguém quer ser professor no futuro . Se calhar é isso que se pretende já há tantos e a mais.

3 Pensamento(s):

TIMOR disse...

Ia escrever um artigo sobre esta situação precisamente. Sendo assim, dou aqui a minha opinião. Com o parecer do C.A.D.A ( Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos), contrariando a exigência de segredo disposto no ECD (Estatuto da Carreira Docente)relativamente à avaliação de desempenho de cada docente ( considerando-o absolutamente confidencial)e se a tese do C.A.D.A vingar ( pondo o processo de avaliação de um professor à mercê de outros professores, pais e até alunos)poderemos ter inclusivamente a vida de qualquer docente (contida nos documentos em causa) completamente devassada (esperemos que não!). Isto é um absurdo e mais um patamar de degradação de uma carreira, cada vez mais desprestigiada, achincalhada e devassada por qualquer um que goste de bisbilhotar a vida de cada um ( já agora porque não termos todos acesso à avaliação de desempenho e ao Curriculum dos senhores Sócrates,Lurdes, Lemos e Pedreira?). E porque não de mais alguns? Era um fartar vilanagem!
Pobre País com governantes deste calibre...

Francisco Azevedo Brandão disse...

Há muitos anos que venho dizendo que o professor está abaixo de cão- Este, pelo menos é na maior parte das vezes acarinhado pelo dono. O professor é espezinhado até ao âmago da sua dignidade pessoal e profissional, pelo ministério, pelos pais, pelos alunos e pela população em geral, agravado depois que a senhora ministra da Educação que nos saiu na rifa, ter dito, mal se tinha sentado na cadeira do mando, que a culpa do insucesso escolar era exclusivamente dos professores. E não contente com esta miserável intervenção, tem vindo a tomar medidas contra os professores que até dá impressão que nutre por eles um certo ódio incontido e estranho. Será que Maria de Lurdes foi algum dia professora? Se foi, quer-me parecer que lhe fizeram alguma tratantada de mau gosto para assim tratar tão mal os da sua igualha. Acobertada por um primeiro-ministro atarantado com o Freepport, a ministra lá vai fazendo dos professores «gatos sapatos», até um dia. Quando estiver cá fora, não haverá um único professor que olhe para a sua cara|
Agora até o processo de avaliação individual de professores poderá ser de acesso livre, com duas opiniões diferentes: o Estatuto da Carreira Docente diz que é confidencial; A Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos entende que não. E aqui está mais uma guerrinha para entreter papalvos, enquanto o ministério da Educação esfrega as mãos como Pilatos fazendo saber que desconhece o caso « pelo que não se pronunciará». Realmente estamos todos entregues a Pilatos. Valha-nos, ao menos, Santa Engrácia, que é a patrona dos aflitos.

Anônimo disse...

NÃO ACREDITO …não pode ser verdade…há, com toda a certeza, qualquer erro de interpretação deste projecto.
NÃO ACREDITO que alguém que chega a lugares de responsabilidade possa ter uma mente tão defeituosa, incompleta, disforme, arrogante, mesquinha, limitada, etc,etc que admita que se possa pensar que a avaliação de colaboradores, quaisquer que eles sejam, mas sobretudo com o nível de intervenção intelectual, cívica e formadora que têm os professores, seja acessível a alguém que não esteja integrado na cadeia hierárquica mais próxima.
NÃO ACREDITO que haja gente tão limitada no governo e nos serviços que com ele fazem equipa.
Vou mudar de mundo, vou embora para parte nenhuma…não acredito.
Cumprimentos José Carvalho